terça-feira, 15 de junho de 2010

Patrimônio cultural da humanidade e a preservação.


Globalização, biodiversidade e a valorização do Patrimônio cultural

Autor: Silvio Pinto Ferreira Junior

Área: Ciências Sociais

A ampliação da noção de patrimônio cultural pode ser considerada, portanto, mais um dos efeitos da chamada "globalização", na medida em que ter aspectos de sua cultura, talvez até então considerada como primitiva e exótica, reconhecidos como Patrimônio Mundial, contribuiu para inserir um país ou um grupo social na comunidade internacional, com benefícios, não somente políticos, como também econômicos.

Cada vez mais a preocupação em preservar está associada à consciência da importância da diversidade - seja a biodiversidade, seja a diversidade cultural - para a sobrevivência da humanidade.

No caso da biodiversidade, há clareza cada vez maior, por parte da opinião pública, de que se trata de patrimônio de todos, acima de interesses particulares. Talvez as origens do movimento ambientalista, que já nasce associado à pesquisa científica e às organizações da sociedade, tenha favorecido esta mobilização em torno da necessidade de preservação do meio ambiente, dificultando a apropriação dessa "causa" por facções políticas ou sua associação a posturas ideológicas, como elitismo ou conservadorismo (LONDRES, 2001:198).

Sem dúvida, a ampliação do conceito de cidadania, que implica o reconhecimento dos direitos culturais dos diferentes grupos que compõem uma sociedade, entre eles o direito à memória, ao acesso à cultura e à liberdade de criar, como também o reconhecimento de que produzir e consumir cultura são fatores fundamentais para o desenvolvimento da questão do que é "nacional", beneficiando-se do aporte de áreas como a antropologia, a sociologia, a estética e a história (LONDRES, 2001:198).

Outra analogia com a questão ambiental diz respeito à posição, nesse novo cenário, de muitos países em desenvolvimento. Nesse caso, menos pode significar mais: uma relação menos predatória com o meio ambiente os torna "ricos" nesse sentido, assim como a sobrevivência de formas de vida, ou melhor, de "formas de expressão" e "modos de criar, fazer e viver" diversificados, em geral mais apropriados aos recursos disponíveis na região, torna, não só esses recursos, como os conhecimentos a eles associados, uma "riqueza" que tem sido cobiçada e, em muitos casos, expropriada pelos países desenvolvidos. Pensar em formas de preservar esse patrimônio, como também a relação que com ele têm seus produtores e consumidores, sem que isso signifique associar a preservação a pobreza e atraso, passa a ser estratégia importante para o desenvolvimento dessas regiões (LONDRES, 2001:199).

A história da arte e da arquitetura, a arqueologia, a antropologia e a etnologia não se limitam mais ao estudo dos monumentos em si mesmos, mas se voltam preferencialmente para os conjuntos culturais complexos e multidimensionais que traduzem no espaço as organizações sociais, os modos de vida, as crenças, os saberes e as representações das diferentes culturas passadas e presentes no mundo inteiro. Cada testemunho material não é mais, portanto, considerado isoladamente, mas em seu contexto e na compreensão das múltiplas relações que mantém de modo recíproco com seu ambiente físico-cultural e natural - e não - físico. Os elementos do patrimônio físico aparecem, juntamente com seu ambiente, sempre como suporte de saberes, de práticas e de crenças; eles organizam uma "paisagem" vivida pela comunidade e participam de sua identidade. (LEVY-STRAUSS, 2001:24).

Contudo, é fundamental que se formulem e implementem políticas que tenham como objetivo enriquecer a relação da sociedade com seus bens culturais, sem que se perca de vista os valores que justificam a preservação.

BIBLIOGRAFIA

LÉVI-STRAUSS, Claude (2001). Patrimônio Imaterial e diversidade cultural: O novo decreto para a proteção dos bens imateriais. In: Patrimônio Imaterial. Rio de Janeiro: ORDECC, pp. 23-28 (REVISTA TEMPO BRASILEIRO Nº 147 - 2001).

LONDRES, Cecília (2001). Para além da ‘pedra e cal': por uma concepção ampla de patrimônio. (org.) Patrimônio Imaterial. Rio de Janeiro: ORDECC, pp.185-207 (REVISTA TEMPO BRASILEIRO Nº 147 - 2001).

Artes e Literatura;


Sociologia da literatura

De Wikipedia, a enciclopedia livre


A sociologia da literatura é um método de estudo das obras literárias dos chamados trascendentes, isto é, aqueles que analisam as obras em virtude de uma finque interpretativa que está para além da configuração linguística do texto.

A sociologia da literatura, em concreto, estabelece conclusões que partem da consideração da literatura como realidade, fenómeno ou instituição social, enquanto relaciona as obras literárias e seus criadores, a sociedade e o momento histórico em que nascem, e a orientação política que as inspira.

  • Existe outro termo, sociocrítica, que, ainda que em origem não é sinónimo de sociologia da literatura, tem terminado com o tempo por se referir, ainda que de forma mais restringida, ao mesmo âmbito de estudo. A sociocrítica foi uma disciplina surgida dentro da Nouvelle Critique francesa, e procurava distanciar-se da estética marxista tradicional através do uso de princípios metodológicos próprios da Semiótica, a Neorretórica e a Hermenéutica. Neste sentido, a sociocrítica concentra-se exclusivamente nas estruturas textuales e sua relação com a sociedade (em sentido bato), a diferença da sociologia da literatura que aborda também todo o processo de produção, distribuição, reedición e recepção das obras.

Educação e formação de valores culturais.


KARL MANNHEIM (1893-1947)

MANNHEIM E A LUZ NO FIM DO TÚNEL

Mannheim retoma a formulação de Weber sobre os tipos de educação: pedagogias do cultivo e do treinamento. Acrescenta a essa formulação a perspectiva de um programa para a mudança da educação.

+ Fugindo do pessimismo weberiano, propõe que a sociologia sirva de embasamento teórico para educadores e educandos no objetivo de compreenderem a situação educacional moderna.

+ Para Mannhiem o pensamento social não pode explicar a vida humana, mas apenas expressá-la. O papel da teoria é compreender o que as pessoas pensam sobre a sociedade e não o de propor explicações hipotéticas sobre ela.

+ O autor defendia uma sociedade que fosse essencialmente de democrática, uma democracia de bem-estar social dirigida pelo planejamento racional e governada por cientistas.

+ Mannheim:
- Admite que a racionalização da vida levou a um declínio da educação voltada para a formação do homem integral, mas que o arejamento promovido pela democratização das relações sociais permitiu o surgimento de novas esperanças. Nesse sentido, embora o capitalismo tenha gerado desigualdades sociais, o interesse dos jovens das classes inferiores em ascender socialmente à elite, traz ao processo educacional as contribuições culturais das diferentes camadas sociais e intercomunicação entre elas.
- Percebeu a importância da sociologia na modernidade, para o estudo dos fenômenos educacionais, justamente porque a vida baseada na tradição estava se esgotando. Nas épocas históricas dominadas pela tradição (pré-capitalista) a educação resumia-se a ajudar a criança a ajustar-se à ordem social tradicionalmente estabelecida. Valendo-se da influência da psicanálise, observa que tal processo era apenas de assimilação “inconsciente”, pela criança, do modelo da ordem vigente. Mas quanto mais a tradição vai sendo substituída pela racionalização da vida, provocada pela consolidação da sociedade industrial, mais os conteúdos educacionais devem ser transmitidos num processo “consciente”, em que o educador se aperceba do meio social em que vive e das mudanças pelas quais passa. à Nem os objetivos do processo educacional nem as metas podem ser concebidos sem a consideração do contexto social, pois eles são socialmente orientados.
- Não concordava com a idéia de que a teoria pode existir apenas pela teoria. Achava que a sociologia poderia servir de base para o aprimoramento da educação.

+ ‘Queremos compreender nosso tempo, as dificuldades desta Era e como a educação sadia pode contribuir para a regeneração da sociedade e do homem’ (Mannheim apud Rodrigues, p.82).

+ Regenerar de quê?
Regenerar a sociedade e o homem dos efeitos perversos que vêm embutidos no processo de racionalização detectado por Weber. Valer-se da compreensão dos diferentes tipos históricos de educação, construídos por Weber, para a montagem de uma pedagogia de dê conta de educar o homem moderno sem arrancar-lhe as possibilidades oferecidas por uma formação integral.
- Para Mannheim:
· Não há porque pensar que a pedagogia do cultivo está condenada à morte. Os modos de vida incutidos por esta educação, voltada para a cultura e a erudição, estavam associados ao poder de certas classes privilegiadas “que dispunham de lazer e de energias excedentes para cultivá-la”, e tais classes entraram em declínio com o desenvolvimento do capitalismo e a ascensão da burguesia. Concorda que a educação especializada desintegra a personalidade e a capacidade de compreender de modo mais completo o mundo em que se vive. Mas argumenta que a grande questão educacional da primeira metade do século XX era saber se os valores veiculados por este tipo de formação são exclusivamente dessas classes ociosas ou se podem ser transferidos em alguma media às classe médias e aos trabalhadores.
· O elemento histórico decisivo na abertura das possibilidades na sociedade atual é político: o advento da democracia moderna.

O que seria essa “educação sadia”?
+ Mannheim compreende que:
- Existem tendências no sentido de criar padrões melhores de vida. à Os movimentos da juventude são responsáveis pelo desenvolvimento de um ideal de homem “sincero”, interessado numa relação mais autêntica com a natureza e com os outros. A psicanálise é responsável por um novo padrão de vida, com saúde mental, capaz de deixar o homem livre das repressões adquiridas na formação.
- A modernidade não tem apenas custos, ou ameaças à liberdade. Ela traz também esperanças e valores sociais solidários, abertos.
A principal contribuição de todas as que a moderna democracia é capaz de oferecer é a possibilidade de que todas as camadas sociais venham a contribuir com o processo educacional. E a sociologia é a disciplina, em sua visão, capaz de fazer a síntese dessas contribuições. Por isso é tão importante, para ele, que a sociologia sirva de base à pedagogia. (p.83).

Mannheim era um homem de seu tempo, em busca de um programa de estudos em sociologia da educação que possibilitasse a formulação de projetos educacionais que ampliassem o horizonte do homem, que superasse as divisões em blocos políticos e ideológicos, que não o satisfaziam. (...) (p.83).


BIBLIOGRAFIA
RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da Educação. 6. ed. Rio de Janeiro: lamparina, 2007.
Cidadania: Adeus ao Estado-Nação?

O conceito de cidadania remete para a qualidade de membro numa determinada comunidade, com as responsabilidades daí decorrentes, e os direitos inalienáveis que tal pertença confere. Nas cidades-Estado gregas, que foram o seu berço histórico, a cidadania significava direito à participação na polis em troca do dever da defesa militar.

1. A evolução da cidadania moderna

A concepção de cidadania e respectiva evolução histórica apresentadas por T.H.Marshall em 1950 revelou-se tão fecunda que ainda hoje permanece um bom ponto de partida. Segundo o autor, desde o seu aparecimento no século XVIII, a cidadania moderna experimentou um progressivo alargamento no seu âmbito. Principiou por ser uma cidadania eminentemente jurídica ou civil (o Estado de direito, a igualdade perante a lei). Ser cidadão significava então o direito à protecção por parte do Estado contra a prepotência dos mais fortes, mas também contra os abusos do próprio Estado. No século XIX, época das revoluções liberais, ao lado da dimensão jurídica a cidadania ganhou uma dimensão política. Ser cidadão passou a significar também o direito à participação nas decisões políticas da comunidade, através da faculdade de eleger aqueles que faziam as leis e governavam e de ser eleito igualmente. A estas duas dimensões o século XX acrescentou uma terceira: a cidadania social, associada aos direitos de bem-estar económico e social. Ser cidadão passou a significar também o direito à providência por parte do Welfare State. Nas últimas décadas vem-se discutindo se esta tipologia não será já insuficiente, sendo necessária a sua ampliação em termos de uma cidadania cultural – que reflicta melhor a diversidade etno-cultural das sociedades – e de uma cidadania ambiental – relativa às responsabilidades mundiais e intergeracionais na preservação dos equilíbrios ecológicos.

2. Cidadania e nacionalidade

Fruto da sua evolução recente, o conceito de cidadania tende a confundir-se no presente com a noção de nacionalidade. Historicamente, porém, as duas realidades nem sempre foram sinónimas. Quer fosse definida na base do princípio da ascendência – o jus sanguinis – quer na base do princípio do território – o jus solis – a nacionalidade (*) não conferia automaticamente direitos de cidadania. Desde o século XVIII até às primeiras décadas do século XX o estatuto de cidadão era concedido somente àqueles nacionais que, mercê da sua instrução, propriedade ou rendimentos, pudessem ser considerados plenamente responsáveis. Ou seja, a maioria dos nacionais encontrava-se excluída da cidadania e dos seus direitos – a começar pelas mulheres, que só no século XX viram ser-lhes reconhecido o direito de voto. Também só muito timidamente os analfabetos e os não-possidentes ascenderam à condição de cidadãos. Este fenómeno é geralmente conhecido como processo de democratização das sociedades. A partir destes dados uma conclusão se impõe: a cidadania não é só um instrumento jurídico, é também um projecto, um processo em construção.

Importa, neste ponto, fazer duas precisões. Em primeiro lugar, as sociedades que experimentaram este processo de democratização correspondiam quase sempre a Estados soberanos modernos. Os critérios que funcionavam nas metrópoles dos impérios ultramarinos não eram automaticamente aplicados às populações colonizadas. Em segundo lugar, a cidadania social impunha custos financeiros acrescidos relativamente à cidadania jurídica e política. Por isso, as leis sociais que, no rescaldo da Grande Depressão dos anos 1880, assinalam o início do Estado-providência na Europa foram acompanhadas de uma série de medidas proteccionistas destinadas a defender a comunidade nacional da invasão de mercadorias e trabalhadores provenientes do estrangeiro. Ser nacional tornou-se condição essencial para a atribuição de certos direitos. Não por acaso, é a partir dos finais do século XIX que os países mais desenvolvidos se preocupam em codificar juridicamente quem é nacional e quem não o é. Norbert Elias não hesitou mesmo em definir o Estado-nação como o “kit de sobrevivência” no mundo moderno.

Existe uma segunda razão que leva a esta quase indissociação entre o conceito de cidadania e o de nacionalidade. Até há bem pouco tempo, só os Estados-nação estavam em condições de assegurar a protecção jurídica, a participação política e a providência social típicas da cidadania. Mas as coisas estão a mudar. Em primeiro lugar, a globalização económica está a minar as bases do Welfare State. A segurança económica de um cidadão em Portugal encontra-se cada vez menos garantida pelo Estado português e cada vez mais dependente da economia global e do mercado de trabalho europeu. Em segundo lugar, o Estado nacional já não tem o monopólio dos direitos de protecção. A prática de apelar a instâncias legais supra-nacionais é cada vez mais corrente – caminhando a par da transformação dos direitos humanos na grande fonte de legitimidade planetária dos tempos modernos. Por último, com as políticas de integração dos imigrantes e o estabelecimento da cidadania europeia o direito à participação política deixou de estar estritamente reservado aos nacionais. Tudo isto vem confirmar que a ligação entre os conceitos de cidadania e nacionalidade não é uma relação necessária nem universal mas antes histórica e contingente. E ela está indubitavelmente a mudar.

3. O Estado, a imigração e as minorias

Existem actualmente no mundo 175 milhões de imigrantes. E as políticas que presidem ao seu acolhimento nos quatro cantos do globo distribuem-se, no essencial, por duas grandes orientações: as políticas de diferenciação e as políticas de integração. Nos regimes tradicionais e autoritários são mais frequentes as do primeiro tipo. Essas políticas apostam em manter fronteiras claras entre “nós” e “eles”, tratando os imigrantes como comunidades separadas da sociedade. Deste modo, não lhes reconhecem certos direitos garantidos aos nacionais – como o da aquisição de propriedade ou o do reagrupamento familiar. Em contraste com esta atitude, que não se interessa minimamente em fazer dos imigrantes membros plenos da sociedade, os regimes liberais tendem a adoptar políticas assimilacionistas. Esta segunda orientação procura tornar os imigrantes o mais parecidos possível com os nacionais, encorajando-os a aprender a sua língua e a adoptar os seus valores e práticas sociais e culturais.

Se as políticas de diferenciação têm sido muito criticadas por não estabelecerem um compromisso entre o país de acolhimento e os imigrantes, não fornecendo um enquadramento para a sua participação cívica nem uma adequada protecção social, as políticas de assimilação têm recebido também nas últimas décadas várias críticas mas por razões distintas. De acordo com os críticos, a integração pela via da assimilação não promove o respeito pela diversidade cultural nem enfrenta explicitamente o problema da exclusão. Já as políticas de integração inspiradas pelo multiculturalismo procuram responder a estas críticas, mas abrem por sua vez o flanco a outro tipo de objecções.

A atitude liberal típica no que respeita ao relacionamento do Estado com a sociedade consiste em proclamar a neutralidade do primeiro em matéria de valores religiosos, morais ou culturais. O Estado deve garantir, no domínio privado, a liberdade de cada um em aprofundar as suas filiações religiosas, histórico-culturais ou linguísticas, ao mesmo tempo que assegura, no domínio público, a unidade da sociedade através de práticas comuns a todos os cidadãos. O cultivo, por certos grupos, das suas particularidades culturais (p.ex.: a religião) não pode fundar uma identidade jurídica e política particular no seio do espaço público, que deve ser comum a todos. Paralelamente, entende-se que o Estado se deve relacionar com os cidadãos apenas enquanto indivíduos, e não enquanto membros de um grupo, devendo todos os cidadãos merecer do Estado um tratamento igual. Por isso a ideia de conferir direitos específicos aos membros de um grupo, pelo facto de o serem, é profundamente antipática à filosofia liberal.

Chegados aqui compreendemos melhor os motivos que conduzem tradicionalmente o Estado liberal a ser pouco receptivo à adopção de medidas especiais de capacitação a favor de minorias etno-culturais desfavorecidas. Com início na América do Norte dos anos 60, principiou porém a difundir-se uma outra atitude visando enfrentar melhor as assimetrias e a exclusão. Embora o debate prossiga, existe doravante algum consenso acerca da necessidade, num certo número de casos, de políticas diferenciadas para produzir oportunidades iguais. A legitimidade destas políticas de acção afirmativa ou de discriminação positiva é admitida naquelas situações onde existem, ou existiram, factores continuados de discriminação em resultado de políticas governamentais, de práticas e atitudes sociais ou de negligência histórica. Essas políticas visam, no fundo, tornar efectiva, para certas minorias etno-culturais discriminadas, a igualdade, proclamada em teoria, no acesso ao ensino público, à justiça ou ao emprego. E se diversas vozes objectam que a existência dessas medidas especiais contradiz os princípios universais de igualdade de cidadania há quem se apresse a recordar que a cidadania é tanto um instituto jurídico como um projecto, pelo que a contradição só existe em termos do presente, não no horizonte do devir.

Certos autores observam, contudo, que as leis anti-discriminação e as políticas de acção positiva, implementadas por diversos Estados desenvolvidos a partir dos anos 60, se revelaram ineficazes para lutar contra os preconceitos sociais enraizados e as desvantagens históricas. Em vários destes países certas minorias historicamente marginalizadas – pensemos nos ciganos em Portugal – continuam a lutar com a mesma dificuldade de acesso aos serviços públicos (ensino, justiça) e a oportunidades económico-sociais (empregos, empréstimos). O combate à exclusão económica e social pode, na verdade, deixar intacta a exclusão cultural. Outros críticos da filosofia social liberal acrescentam que, mesmo quando pretende sê-lo, o Estado nunca é verdadeiramente neutro em matérias morais ou culturais. A cultura comum que institui acaba sempre por ser imposta aos grupos minoritários. Pela sua natureza, é próprio das culturas dominantes (essas redes de significado raramente expressas e tidas mais ou menos como naturais) não ter consciência da opressão que podem constituir para as culturas minoritárias.

4. Cidadania e direitos culturais: o debate sobre o multiculturalismo

A difusão, a partir dos anos 80, da problemática do multiculturalismo acompanhou uma mudança mais subtil ocorrida nas sociedades de rendimentos e desenvolvimento humano elevados. A tradicional centragem da questão social no combate às desigualdades económico-sociais e políticas cedeu o lugar a uma atitude onde ao lado destas questões principiou a afirmar-se o direito das minorias culturais a expressar a sua orientação sem serem vítimas de preconceitos sociais. À centragem sobre a igualdade este novo paradigma contrapôs o binómio igualdade-diferença.

Para os defensores das políticas multiculturais os indivíduos necessitam ver reconhecida a sua dignidade não só enquanto cidadãos abstractos mas enquanto indivíduos concretos, portadores de uma história e de uma cultura singulares. O seu sentimento de auto-estima depende também da aceitação da sua cultura pela sociedade onde vivem. O Estado deve, por isso, procurar reconhecer ao nível da constituição, das leis ou das instituições as identidades e as culturas minoritárias que alberga no seu seio. Isto pode passar:

(a) ao nível político, pela adopção do federalismo assimétrico ou da democracia consociativa (**);

(b) ao nível jurídico, pela adopção do pluralismo legal, com reconhecimento dos sistemas legais tradicionais (p.ex.: dos povos indígenas);

(c) ao nível da comunicação com os cidadãos, pela adopção de mais do que uma língua oficial, com reflexos no ensino, nos tribunais e na administração pública, ou ainda, pela disponibilização nas línguas dos imigrantes de consultas jurídicas, informações sobre emprego e sobre combate à discriminação;

(d) ao nível simbólico, pela introdução no calendário oficial das festas religiosas ou culturais mais importantes das minorias, pela difusão de imagens positivas e exactas acerca destas nos meios de comunicação, pela exposição da sua história e da sua cultura nas escolas e nos museus, pelo apoio ao ensino nas suas línguas, ancestrais ou nacionais, ou até por uma formação regular para as polícias sobre a interacção com estas comunidades;

(e) ao nível sócio-económico, pela adopção de políticas de acção afirmativa visando reduzir as desigualdades persistentes, em áreas vitais como o ensino ou o emprego, e pelo apoio logístico à organização destas comunidades em termos de auto-ajuda.

As políticas multiculturais comportam no entanto diversos riscos. A afirmação de direitos particulares arrisca-se a encerrar os indivíduos no seu particularismo, esquecendo que cada indivíduo pertence sempre a vários grupos, move-se entre uma pluralidade de identidades, e só a ele cabe decidir em cada momento se quer escolher – e como – entre essas diferentes identidades. Recordemos Kwame A. Appiah quando adverte contra o imperialismo da identidade única (no caso vertente, a identidade racial):
«é crucial lembrarmo-nos sempre de que não somos simplesmente pretos, brancos, amarelos, mulatos; gays, heterossexuais, bissexuais; judeus, cristãos, muçulmanos, budistas, confucionistas, mas também irmãos e irmãs; pais e filhos; liberais, conservadores e esquerdistas; advogados, construtores de carros e jardineiros…; apreciadores de grunge rock e apaixonados por Wagner…; poetas e amigos dos animais; estudantes e professores; amigos e amantes. A identidade racial pode ser a base da resistência ao racismo (…) mas não deixemos que as nossas identidades raciais nos sujeitem a novas tiranias.»

Um segundo risco das políticas multiculturais está na transformação das sociedades numa justaposição de diferentes comunidades fechadas sobre si próprias sem trocas reais entre elas. Se cada comunidade particular não desenvolver laços comuns de pertença com a comunidade no seu todo, o Estado arrisca-se a viver sob uma tensão contínua ou a tornar-se presa fácil da conflitualidade étnica. Vários analistas têm sustentado que o federalismo jugoslavo, ao promover a criação de subunidades etnicamente “puras”, acabou por impedir os diferentes grupos étnicos (os croatas, os bósnios, etc…) de articular múltiplas identidades e de construir complementaridade. Isto terá sido uma das causas a conduzir à desintegração da Jugoslávia no início dos anos 90.

Um último risco está em tratar a diversidade cultural como um fim em si, e não apenas um meio de expandir a liberdade dos indivíduos em escolher aquilo que querem ser. Defender a diversidade pela diversidade, sem olhar aos seus conteúdos, pode levar à conciliação com práticas e culturas que não respeitem a igualdade entre os géneros ou outros direitos humanos.

Vejamos então algumas orientações que devem nortear uma política de integração multicultural:

(1) O reconhecimento explícito das diferenças culturais não pode perder de vista a necessidade do Estado em assegurar a sua coesão interna. Para que a cidadania (jurídica, política e social) seja efectiva é necessária uma certa cultura e identidade em comum. A resposta típica do multiculturalismo é que esta identidade e esta cultura não têm de ser do tipo nacional, ou sequer étnico, podendo ser uma identidade de pertença.

(2) Os indivíduos não devem ser autoritariamente integrados no grupo particular a que pertencem. Mais do que identificar-se com aquilo a que pertencem, as pessoas tendem a pertencer àquilo com que se identificam. Elas têm o direito de escolher outras identidades e culturas que não as associadas aos seus grupos de origem (nesse sentido, a adopção dos valores da sociedade dominante não tem mal nenhum, desde que não seja coagida por políticas de assimilação agressivas).

(3) Só devem ser reconhecidas as culturas e os valores que respeitem, ou se saibam adequar, à igualdade de oportunidades e aos direitos humanos. Não é raro certas comunidades serem dominadas por pessoas que evocam a tradição para manter o seu status quo dentro do grupo, o que não tem nada de democrático. Cuidado com o tradicionalismo que se apresenta como aliado das próprias vítimas, negando-lhes no fundo a oportunidade de conhecer alternativas.

(4) Os grupos devem encontrar-se no mesmo pé de igualdade, sem que uns possam dominar os outros.

(5) Os direitos culturais devem ser atribuídos aos indivíduos e não aos grupos.

O multiculturalismo é perturbador na medida em que empreende a desconstrução do projecto de nação singular e homogénea. Só que na maior parte dos casos, esse projecto não passou de uma quimera cujo resultado foi a promoção a “nacional” da identidade e da cultura da comunidade dominante em detrimento das culturas das restantes. Mas para ser uma alternativa válida ao modelo da integração através da assimilação o multiculturalismo precisa de articular indissociavelmente o reconhecimento oficial de valores e práticas culturais diferentes com a construção de um compromisso comum assente em valores não negociáveis, como os direitos humanos, o Estado de direito, a democracia, a igualdade entre os géneros ou a tolerância. Deste modo ligará a liberdade das pessoas em exprimir e partilhar os seus valores culturais com as suas obrigações em respeitar normas cívicas comuns. Mas não foi deste modo que começámos por definir cidadania – uma associação de direitos com responsabilidades sobre a base de uma pertença comum?

Tradições culturais e valores permanentes.


SOCIEDADE

Em Sociologia, uma sociedade é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade. A sociedade é objeto de estudo comum entre as ciências sociais, especialmente a Sociologia, a História, a Antropologia e a Geografia
Uma sociedade é um grupo de indivíduos que formam um sistema semi-aberto, no qual a maior parte das interações é feita com outros indivíduos pertencentes ao mesmo grupo. Uma sociedade é uma rede de relacionamentos entre pessoas. Uma sociedade é uma comunidade interdependente. O significado geral de sociedade refere-se simplesmente a um grupo de pessoas vivendo juntas numa comunidade organizada.
Os sociólodos definem sociedade como um conjunto de pessoas que vivem em um mesmo território, falam a mesma língua e compartilham a mesma cultura.
A origem da palavra sociedade vem do latim societas, uma "associação amistosa com outros". Societas é derivado de socius, que significa "companheiro", e assim o significado de sociedade é intimamente relacionado àquilo que é social. Está implícito no significado de sociedade que seus membros compartilham interesse ou preocupação mútuas sobre um objetivo comum. Como tal, sociedade é muitas vezes usado como sinônimo para o coletivo de cidadãos de um país governados por instituições nacionais que lidam com o bem-estar cívico.
Pessoas de várias nações unidas por tradições, crenças ou valores políticos e culturais comuns, em certas ocasiões também são chamadas de sociedades (por exemplo, Judaico-Cristã, Oriental, Ocidental etc.). Quando usado nesse contexto, o termo age como meio de comparar duas ou mais "sociedades" cujos membros representativos representam visões de mundo alternativas, competidoras e conflitantes.
Cultura (do latim cultura, cultivar o solo, cuidar) é um conceito desenvolvido inicialmente pelo antropólogo Edward Burnett Tylor para designar o todo complexo metabiológico criado pelo homem. São práticas e ações sociais que seguem um padrão determinado no espaço. Refere-se a crenças, comportamentos, valores, instituições, regras morais que permeiam e identificam uma sociedade. Explica e dá sentido à cosmologia social; É a identidade própria de um grupo humano em um território e num determinado período.
Tradição (do latim: traditio, tradere = entregar; em grego, na acepção religiosa do termo, a expressão é paradosis παραδοσις) é a transmissão de práticas ou de valores espirituais de geração em geração, o conjunto das crenças de um povo, algo que é seguido conservadoramente e com respeito através das gerações.
A tradição e sua presença na sociedade baseiam-se em dois pressupostos antropológicos: a) as pessoas são mortais; b) a necessidade de haver um nexo de conhecimento entre as gerações.
Os aspectos específicos da tradição devem ser vistos em seus contextos próprios: tradição cultural, tradição religiosa, tradição familiar e outras formas de perenizar conceitos, experiências e práticas entre as gerações. A tradição toma feições peculiares em cada crença. Pode-se destacar a presença da tradição nos grandes grupos religiosos: Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo.
Caçador-coletor
O homem foi um caçador-coletor até à revolução neolítica, e a caça e a coleta foram os primeiros modos de subsistência do Homo sapiens. Estas atividades foram herdadas diretamente do mundo animal, particularmente dos primatas.
Estes modos de subsistência consistem na recolha da natureza do que ela fornece espontaneamente. Precedem a pecuária e a agricultura, e podem dar origem ao nomadismo, se as manadas que fornecem a subsistência principal se deslocam ou se os
• As descobertas arqueológicas sustentam a hipótese de que, há vinte mil anos, todos os seres humanos eram caçadores-coletores. Hoje ainda subsistem caçadores-coletores no Ártico e nas florestas tropicais úmidas, onde outras formas de subsistência não são possíveis. A maior parte desses grupos teve ancestrais agricultores, que foram empurrados para zonas periféricas no decorrer de migrações e de conflitos. Estima-se que estas comunidades desaparecerão dentro de algumas dezenas de anos.
São utilizados apenas os materiais disponíveis na natureza para a construção de abrigos, dando preferência para os naturais, que necessitem de poucas transformações. Estes abrigos destinam-se à proteção contra intempéries e predadores.
A grande maioria das sociedades de caçadores-coletores é nômade. Normalmente, os recursos de uma área são rapidamente esgotados, tornando impossível a fixação permanente dos grupos humanos.
Características dessas sociedades
Alguns aspectos são comuns à maioria das sociedades de caçadores e coletores, entre eles: a) a capacidade de interferir no meio ambiente é mínima; b) e necessária sempre uma vasta área para garatir a sobrevivência, visto que os recursos se esgotam rapidamente; c) o deslocamento é constante; d) são formados por poucos membros, espalhados poe centenas de quilômetros quadrados, e) a posse de recursos se reduz ao mínimo; f) não há produção de reserva, esse tipo de eocnomia é chamdo de subsistência.
Não há pobres e ricos entre eles, as divisões se restringem ao sexo, a idade e ao parentesco. Todos tem praticamente o mesmo nível de poder. Não há divisão de trabalhp. Mas geralmente os homens ficam com a caça e a pesca, e as mulheres à coleta de frutos e raízes. Segundo estudiosos dessas sociedades, apenas a metade dos membros atinge a idade de 20 anos.
O traço central das sociedades de caçadores e coletores é a ausência de excedentes ou sobras, pois a dificuldade para obtenção de alimentos são tamanhas que nenhuma sobra é possível.
Com o desenvolvimento tecnológico, ao longo de milhares de anos, como veremos, os excedentes tornaram-se possíveis . E wundo há excedentes , alguns membros da sociedade podem viver deles e ocupar-se com atividades que não sejam a exclusiva busca de alimentos, podendo dedicar-se a outras atividades.
Se não tivéssemos saído da condição de caçadores-coletores, não teriam existido Sócrates, Jesus Cristo, Leonado da Vinci, Mozart, etc.
SOCIEDADES DE PASTORES
Há cerca de 10 mil anos, alguns animais passaram a conviver com os humanos. Iniciava-se o processo de domesticação, importante passo na evolução humana. Ovelhas e cabras passaram a ser mantidas no mesmo local, podendo ser facilmente levadas para pastar e reunidas à noite sem que fugissem. E reproduziam-se rapidamente. Carne, leite, lã e couro tornaram-se bens muito valiosos. Podiam sustentar um grupo grande de pessoas, sem que fosse necessário caçar e coletar vegetais.
Formavam-se assim sociedades de pastores, sobretudo em regiões áridas, como no deserto do Saara (África), na Mongólia (Ásia Central) e em diversas áreas do Oriente Médio. Nessas regiões a agricultura, que se desenvolvia na mesma época em outras regiões, era praticamente impossível. Ainda hoje podem ser encontrados grupos humanos dedicados exclusivamente ao pastoreio nesses mesmos locais.
As principais caracteríticas das antigas sociedades de pastores eram: a) nomadismo – as pastagens não duravam muito tempo, por isso novas eras diviam ser constantemente procuradas; b) grupos grandes; c) propriedade particular dos rebanhos; d) desigualdade social – era consequância da posse particular de rebanhos e mesmo de pastagens, com o tempo, algumas famílias conseguiam criar masi animais que outras, graças à sorte ou a uma administração mais eficiente.
Surgiam famílias mais poderosas, com chefes que deram origem ao chamado sistema patriarcal. A domesticação do cavalo (por volta dd 3500 a.C.) tornou-se fator decisivo na dominação de uma família, de um grupo ou clã, originando a guerra para o roubo de animais e a conquista do território.
AS SOCIEDADES DE HORTICULTORES

Há cerca de 10.000 anos, ou seja, quando ocorria a domesticação dos primeiros animais,ealgumas áreas do Orinte Médio formavam-se hortas, com os primeiros cultivos de vegetais. Trigo, ervilha, oliveira, arroz e milhete são considerados os primeiros vegetais domesticados.
A tecnologia e os meios de produção eram simples: bastões para perfurar o chão e sementes que eram colocadas nos buracos. Mas havia uma avanço importantissímo: o conhecimento e o controle no processo de produção. As pessoas sabiam que não precisavam mais depender dos recursos da natureza e que, em áreas destinadas especificamnte às culturas, podiam dcidir o momento de plantar e o momento de colher.
Esta estabilidade permitiu o sedentarismo e a formação de aglomerados humanos, com milhares de pessoas. Iniciava-se a revolução agrícola, um dos passos mais importantes na evolução a humanidade.
Com a formação dos primeiros excedentes ou estoques, surgia a necessidade de recepientes e locais para o armazenamento dos mesmos. Surgia assim os artsãos que se dedicaram a confecção de vasos, potes, panelas, fornos e fogões.; outrs pessoas passaram a dedicar-se a outras tarefas como a construção de casas, fabricaação de armas, ferraments, etc. Era a divisão do trabalho que se instalava. Também começou a surgir a desigualdade social.
Segundo alguns sociólogos foi nessa época que surgiu a escravidão.. Chefes assumiram o governo de grupos e sociedades, tornando-se reis com poder hereditário, surgia assim uma elite que dominava a população.

AS SOCIEDADES AGRÁRIAS
A invençao mais importante e revolucionária foi a do arado, ocorrida por volta de 4.000 a.C. Aliado à descoberta da roda e da tração animal, o arado desencadeou o que se chamou de revolução agrícola. A irrigação acrescentou outra mlhoria extraordinária. A produção aumentou enormemente. Revolvida e arejada pelo arado, umedecida pela irrigação, a terra podia ser cultivada indefinidamente. Os assentamentos de moradores tornaram-se permanetes, dando origem às primeiras cidades. Ocorreram a descoberta da escrita e dos números e a fundição de metais; começava a pratica da metalurgia.
Características das sociedades agrárias
A desigualdade social já instalada na etapa anterior, a da horticultura, acentuou-se com o aumento da produção. E a invenção da escrita contribuiu para criar uma uma diferenciação ainda maior entre as camadas sociais superiores e as camadas dos camponeses e escravos.
Também a divisão do trabalho foi se acentuando, junto com o crescimento das cidades. Nessas, um número cada vez maior de pedreiros, ferreiros, carpinteiros, soldados, tecelões e centenas de outros prosissionais podiam dedicar-se a sua tarefas sem precisar produzir seus alimentos. Geralmente estavam a serviços dos poderosos, que lhes pagavam as tarefas com moedas ou comida e abrigo.
As sociedades agrárias organizavam-se em complexos sistemas políticos e religiosos. O poder político e religiosos estava intimamente ligado.
DESIGUALDADES SOCIAIS
Também a concentração de riquezas era espantosa nas sociedades agrárias. As famílias reais e um pequeno grupo de patrícios e nobres possuíam mais de 90% de toda a riqueza – terras e produção agrícola. Controlavam assim os meios de produção.
De fato, de todas as sociedades que existiram, as sociedades agrárias foram as que apresentaram as maiores desigualdades sociais.

AS SOCIEDADES INDUSTRIAIS

Por volta de 1750, na Inglaterra, alguém percebeu que a água caindo de uma certa altura tinha força para fazer girar uma roda dentada situada em um nível mais baixo. Colocando um eixo nessa roda, podia-se fazer girar um aparelho para fazer fios, um pilão para descascar e moer cereais... Era o início de uma revolução: a força dos músculos animais sendo substítuidas por uma força que não se cansa e pode trabalhar dia e noite sem exigir comida e pagamento.
Um novo passo foi dado quando alguém percebeu que o vapor da água fervendo pode levantar a tampa da panela: o vapor representa uma força e, portanto pode movimentar uma roda, um eixo.... Nasciam as máquinas a vapor, a principal das quais foi a locomotiva, início da revolução dos transportes.
A introdução desses novos meios de produção – a água e o vapor – para cavar, trnasportar, serrar, cortar, erguer, girar desencadeou a maior revolução tecnológica até aquele tempo: a Revolução Industrial. Ela ganharia novo impulso no sec. XIX, com a descoberta da eletricidade. As sociedades agrárias não seriam mais as mesmas.
Podemos imaginar o que representou a invenção de máquinas que libertaram o homem do uso de seus músculos e deixaram-no livre para usar seu cérebro – ou seja, sua inteligência e imaginação.
Junto com a eletricidade, o carvão foi um dos principais elementos propulsores da Revolução Industrial.
ELITES E DESIGUALDADE
Desde os primeiros momentos da Revolução Industrial, pessoas empreendedoras e com capital passaram a dominar os meios de produção – máquinas, fábricas, terras, matérias-primas, recursos financeiros. Formou-se assim uma elite capitalista poderosa em todos os países, oriunda da burguesia, que havia derrubado as estruturas do Antigo Regime.
A Sociedade Industrial também se desenvolvia em cima da desigualdade. Mas no final do sec. IX, escolas gratuítas, mantidas pelo governo, passaram a ser instaladas em diversos países; facilitava, os estudos e formavam profissionais para os escritórios e as lojas. Médicos, engenheiros, advogados, professores, contadores, escriturários e auxiliares de escritório ganhavam salários que lhes permitiam viver em casas confortáveis e vestir-se com roupas novas e caras.
Era a classe média

Cultura - Conhecimentos, técnicas e símbolos.

Na sociologia, a cultura é o foco de estudo, uma vez que da mesma emana toda a natureza e aspectos da sociedade em questão. A Ciência Social afirma que nenhuma cultura é superior ou inferior à outra, uma vez que isso não existe na sociologia e sim, culturas diferentes. Julgar uma outra cultura segundo os aspectos da sua é a mesma coisa que dizer que seu time é melhor que o time rival. A mesma coisa se aplica aos diversos aspectos dessa cultura: Organização política, religião, manifestações artisticas e costumes.

Algo interessante é que estamos tão acostumados com a nossa sociedade ocidental que automaticamente associamos os aspectos universais da sociedade à nossa, e pior, às tomamos como sendo superiores às das outras culturas: A república ocidental e sua democracia é a mais perfeita doutrina política, o cristianismo é a única religião e fé incontestável, a música ocidental é a mais erudita e nosso modo de vida é o melhor do mundo.

Do mesmo modo que um republicano está certo sobre que a República é o melhor sistema de governo, um monarquista também está certo sobre sua Monarquia ser a melhor organização de administração política, da mesma forma como um cristão está certo ao dizer que só Jesus salva da mesma forma como um hindu ao dizer o mesmo sobre Krishna. Mas finalmente, quem tem razão?

No filme Cruzada, o protagonista Balian (representado por Orlando Bloom) discussa para o povo em Jerusalém antes de enfrentarem o exército Sarraceno de Saladino. Ele diz:

"Qual lugar é mais sagrado? A mesquita? O Sepulcro? Quem tem direito? Ninguém têm direito. Todos têm direito. Não lutamos para proteger as pedras e contruções dessa cidade, mas as pessoas que vivem nesses muros"

Substituindo algumas palavras desse texto no sentido sociológico do discurso, teríamos:
"Qual cultura é mais correta? A ocidental? A oriental? Qual está certa? Nenhuma está certa. Todas estão certas. Não existismos para julgar os costumes e atitudes das sociedades, mas para entendê-las porque elas existem."

Isso é o resumo do que é a sociologia. Seja em qualquer aspecto ela não toma uma conclusão contemplativa e conclusiva, mas expositiva onde apenas entendemos o porquê da realidade social de cada cultura, uma vez que ela é o reflexo do momento histórico e geográfico do homem no plano temporal. Feito isso, tomamos consciencia de uma parcela da humanidade e sua condição de ser racional, uma vez que cada cultura é reflexo da mentalidade humana, logo, se tomamos cada cultura como parte do pensamento humano, não podemos julgá-las uma vez que fazem parte de uma realidade universal: a cultura humana.
Levando em consideração a consciencia da existência de uma única cultura no planeta, e até mesmo no Universo, o máximo que podemos fazer é dividir o pensamento humano em subdivisões e linhas a que chamamos de sociedades ou países, nisso temos uma exposição diversificada da atividade social e cultural do ser humano no mundo.

Podemos tirar conclusões a partir disso: A monarquia é tão eficiente quanto a república, isso depende de como o ser humano organizará sua política a partir de um desses sistemas. Jesus salva tantas almas quanto Krishna, isso depende se o fiel seguir os ensinamentos do Cristo ou do Avatar. A filosofia Nietzscheniana é tão consistente quanto a Kantiana, isso depende da realidade a qual a epistemologia está inserida.
Resumindo: As coisas existem por causa do ser humano, sendo ele um ser eclético, para que algo seja correto basta que ele escolha o objeto que mais se adapte à sua personalidade, assim cria-se uma realidade subjetiva, que quando seguida por mais de um ser humano, torna-se um reflexo social do instante temporal, assim, isenta de qualquer julgamente de superioridade ou inferioridade, uma vez que o mesmo anula qualquer realidade cultural criada pelo ser humano anulando sua identidade social por consequência.

Logo não existem culturas superiores e sim culturas criadas pelo homem. Quando a sociedade humana compreender isso não haverá mais conflitos, uma vez que o mesmo é causado pela ignorância da não-compreensão do próximo, e por fim pelo julgamento equivocado. Assim cessará qualquer barreira que torne o mundo dividido por ideologias. Isso não significa a extinção das culturas, mas a consciencia de todas.

Adaptando a famosa frase de Bahá'u'lláh, teremos:

"O mundo é uma só sociedade, e suas culturas uma realidade única."

Logo tenhamos consciência do homem como um todo, não para julgarmos, mas para compreendermos melhor à nós mesmos.